CEFALEXINA
Informaçoes Técnicas:
Em 1948 Brotzu isolou pela primeira vez uma cefalosporina a
partir de Cephalosporium acremonium colhido de águas
marinhas na costa da Sardenha. Já se sabia então,
que o filtrado não purificado deste fungo inibia o crescimento
do Staphylococcus aureus e combatia febre tifóide em
humanos.
Com a identificação do ácido 7-aminocefalosporânico
(Cefalosporina C) mais tarde, por substituição
de radicais, originaram-se semi-sinteticamente várias
gerações de cefalosporinas, cujo núcleo
ativo quimicamente, guarda estreita relação com
o das penicilinas, embora não seja idêntico.
As Cefalosporinas se apresentam em forma cristalina, de sabor
amargo e baixa solubilidade à temperatura ambiente, sendo,
a Cefalexina, o ácido 7-( D-a-amino - afenilacetamido
)-3-metil -3-cefem-4-carbolxílico monohidrato, com fórmula
molecular C16H17N3O4 S . H2O e peso molecular de 365,4, um protótipo
chamado de primeira geração, cuja característica
é de ser ácido-estável, factível
então, de administração por via oral (v.o).
Por ser um ácido estável, pode ser utilizado v.o.
independentemente das refeições, sendo rapidamente
absorvido, podendo no entanto, ter sua absorção
retardada, embora completa, na presença de alimentos.
Com doses de 250, 500 e 1.000mg, a concentração
média plasmática, fica em torno de 9, 18 e 32mg/mL
respectivamente, no período de 1 hora, sendo detectável
até 6-8horas após administração,
atingindo portanto, níveis plasmáticos semelhantes
aos das cefalosporinas de uso parenteral. Se distribui largamente
pelo corpo e, embora não ultrapasse a barreira hemato-encefálica,
atravessa a placenta e é encontrada na bile, por onde
pode também ser excretada e, em altas concentrações
no líquido sinovial e pericárdio. Cerca de 90%
da quantidade ingerida não sofre qualquer biotransformação,
sendo (em torno de 15% ligadas às proteínas séricas),
distribuída e excretada via renal na sua forma ativa
com 6-8 horas após ingestão, envolvendo para tanto
a filtração glomerular e secreção
tubular. Os picos de concentração urinária
com as referidas doses, estão em torno de 1;2,2 e 5mg/mL
respectivamente
Farmacocinética:
Em geral, as cefalosporinas de primeira geração
(Cefalexina, Cefalotina e Cefazolina), possuem, entre si, o
mesmo espectro bacteriano. Desta forma, a Cefalexina, inibe
a biossíntese da parede celular em bactérias sensíveis.
A parede celular das bactérias é essencial ao
seu crescimento e desenvolvimento, variando de espessura (de
1-2 moléculas nas Gram-negativas e 50-100 moléculas
nas Gram-positivas) e cuja síntese envolve cerca de 30
enzimas bacterianas. A lise das bactérias, que costuma
ocorrer após exposição aos antibióticos
beta-lactâmicos, depende da atividade de enzimas da parede
celular, sendo menos ativa contra as produtoras de penicilinase.
A Cefalexina é ativa contra os seguintes microrganismos:
Escherichia coli, Haemophilus influenzae, Klebsiella pneumoniae,
Moraxella (Branhamella) catarrhalis, Proteus mirabilis, Staphylococcus
aureus, Staphylococcus epidermidis, Streptococcus pneumoniae,
Streptococcus pyogenes, porém, não tendo se mostrado
útil contra algumas cepas de Enterobacter, Morganella
morganii, Proteus vulgaris, Pseudomonas spp ou Acinetobacter
calcoaceticus.
Ação Farmacológica:
A resistência bacteriana às cefalosporinas pode
ocorrer entre espécies com diferenças estruturais
ou se desenvolver através de mutação. Outras
vezes pode surgir decorrente da incapacidade de o agente atingir
o seu local de ação (o que depende do tamanho
da molécula e dos poros da parede celular) ou de alterações
nas proteínas de ligação do antibiótico
de tal forma que não haja interação, ou
ainda, à enzimas bacterianas (beta-lactamase) que são
capazes de hidrolisar o anel beta-lactâmico e inativar
a cefalosporina.
A Cefalexina constitui um grupo de antibióticos de segunda
escolha. Raramente deve ter uso ambulatorial. De preferência,
deve ser indicada, após isolamento de bactérias
e reconhecimento da sensibilidade (principalmente para Stafilo-resistentes
em infecções urinárias). Continua sendo
útil como fármaco alternativo das penicilinas
em diversas infecções em pacientes que não
podem tolerar este antibiótico. São indicações
para o seu uso.
Indicações:
No trato respiratório -Infecções causadas
por S. pneumoniae e S. pyogenes (Penicilina é usualmente
o fármaco de escolha no tratamento e prevenção
de infecções estreptocócicas inclusive
profilaxia da febre reumática). A Cefalexina é
geralmente efetiva na erradicação de Streptococus
da nasofaringe, no entanto dados substanciais estabelecendo
a eficácia da Cefalexina na prevenção da
febre reumática não foram relatados até
o momento; Otite média devido ao Streptococcus pneumoniae,
H. influenzae, Staphylococcus, Streptococcus e M. catarrhalis;
Infecções de pele causadas pelo Stafilococus ou
Streptococcus; Infecção óssea causada pelo
Stafilo ou P.mirabilis; Infecções do trato genitourinário,
inclusive prostatite aguda por E.coli, P.mirabilis e K. pneumoniae;
Infecções biliares; A profilaxia durante e após
cirurgia constitui outro campo em que as cefalosporinas encontram
aplicação, mormente na possibilidade de ocorrência
de microrganismos Gram-negativos e positivos simultaneamente;
Continua sendo útil como fármaco alternativo às
penicilinas em diversas infecções em pacientes
que não podem tolerar aquele antibiótico.
Nota: Testes de cultura e sensibilidade bacteriana devem ser
feitos antes e durante o tratamento.
Pacientes com sabida alergia ao grupo de antibióticos
das cefalosporinas. Antes de usá-la é aconselhável
proceder a um cuidadoso interrogatório a respeito da
ocorrência de reações de hipersensibilidade
às cefalosporinas e/ou penicilinas. Em caso afirmativo,
é desaconselhado seu uso, ou se exige extrema precaução.
Reações graves de hipersensibilidade podem requerer
o uso de Adrenalina e outras medidas de emergência. Quando
detectado, qualquer efeito colateral ou manifestação
não usual de idiossincrasia do fármaco, este deve
ser suspenso ou acompanhado cuidadosamente e o paciente tratado
com os procedimentos usuais (Adrenalina,anti-histamínicos,corticosteróides,
etc). A Cefalexina, deve ser usada com precaução
em pacientes com função renal prejudicada.
Contra-Indicações:
É possível que algumas cefalosporinas possam aumentar
a nefrotoxicidade dos aminoglicosídeos. Podem produzir
uma reação de glicosúria falso-positiva
ao Clinitest. Fármacos uricosúricas (probenecida)
podem diminuir o clearence de algumas cefalosporinas, por bloqueio
da secreção tubular.
Há referências de baixos níveis de concentração
plasmática de Cefalexina que foram constatados quando
o paciente também fazia uso de colestiramina, assim como
a ocorrência de gravidez com uso de contraceptivo oral
depois que, no curso do tratamento, se administrou a Cefalexina.
Hipersensibilidade - Reações de hipersensibilidade
são os efeitos colaterais mais comuns, que podem estar
relacionados com a estrutura beta-lactâmica (comuns às
penicilinas e cafalosporinas), sendo as imediatas: anafilaxia,
broncoespasmo e urticária. O exantema macropapular aparece
geralmente após vários dias de tratamento e pode
ou não estar acompanhado de febre e eosinofilia. Mais
raramente, ocorre também eritema multiforme, síndrome
de Stevens-Jhonson ou necrólise tóxica epidermal
e disfunção hepática (hepatite transitória),
inclusive colestase. Reatividade cruzada em até 20% dos
pacientes alérgicos à penicilina, podendo ocorrer
anafilaxia. Não existem testes cutâneos capazes
de prever com segurança estas reações.
Aparelho Digestivo -Também no aparelho digestivo, náuseas,
vômitos e mais raramente icterícia podem ocorrer,
sendo a diarréia o mais freqüente. Dor abdominal,
gastrites e dispepsias também. As Colites pseudomembranosas
podem ser relatadas com virtualmente todos os antibióticos
de largo espectro, incluindo macrolídeos, penicilinas
semi-sintéticas e cefalosporinas, portanto é importante
considerar este diagnóstico, em pacientes que apresentarem
diarréia durante o uso de antibióticos. Cada uma
podendo evoluir para formas graves com risco de vida. Além
disso, a destruição da flora natural digestiva
pode ocasionar infecções por Clostridium difficile
que é a causa primária de colite associada a antibóticos,
podendo aparecer diarréia com sangramento em conseqüência
de hipoprotrombinemia, trombocitopenia e/ou disfunção
plaquetária, que pode ser mais intensa em pacientes idosos,
desnutridos ou com insuficiência renal. Neste caso, deve-se
proceder à suspensão do tratamento e em casos
mais graves, usar outro antibiótico específico
para C.difficile.
Reações Adversas :
Testes laboratoriais - Aumento do tempo de protrombina, aumento
da fosfatase alcalina e leucopenia. Ainda podem ser observados
testes de Coombs positivos após uso de altas doses, mesmo
sem hemólise associada e mais raramente depressão
medular com granulocitopenia. Glicosúria falso-positiva.
Uso na Gravidez e Lactação -A segurança
deste produto para uso humano durante a gravidez não
está estabelecida, embora não tenha apresentado
alterações em animais de experimentação.
A excreção de Cefalexina no leite aumenta após
dose de 500mg. O fármaco alcança um nível
máximo de 4 mg/mL, quando então decresce gradualmente
e desaparece em 8 horas, exigindo cuidados.
Gerais - Os pacientes em uso de Cefalexina devem ser acompanhados
ao menor sinal de efeito colateral ou manifestação
não usual de idiossincrasia do fármaco que possa
ser detectado. Em caso de reação alérgica
à Cefalexina, o fármaco deve ser suspenso e o
paciente tratado com os agentes usuais (Adrenalina, anti-histamínicos
ou corticoteróides). O uso prolongado pode resultar em
super-infecção por microrganismo não-susceptível,
exigindo cuidadoso acompanhamento e medidas apropriadas.
A Cefalexina deve ser administrada com cautela na presença
de função renal comprometida. Em tais situações
o acompanhamento clínico e laboratorial é indispensável,
visto que um retardo da eliminação, juntamente
com a não-metabolização podem acarretar
uma super-dosagem. Como resultado do uso da Cefalexina uma reação
falso-positiva para a glicose na urina pode ser observada. Antibióticos
de largo espectro devem ser prescritos com precaução
em indivíduos com história de doença gastrointestinal,
articularmente,colite.
Gravidez - ensaios pré-clínicos, em ratos, com
doses de 250-500mg/Kg/dia de Cefalexina, não demonstraram
evidências de prejuízo na fertilidade ou danos
para o feto. Não existe, no entanto, estudo controlados
na gravidez humana, não devendo ser feita a equivalência
de doses entre ratos e humanos. Portanto, a utilizaçãode
Cefalexina durante a gravidez, tem que ser plenamente justificada
e cautelosa.
Posologia:
O tratamento com a Cefalexina deve ser feito por um mínimo
de dez dias. O horário de administração
não está relacionado com a alimentação.
Adultos: 500mg a cada 6 horas, ou 500mg a cada12 horas para
infecções da pele. Crianças: dose oral
de 12,5 a 50mg/Kg, a cada 6 horas ou a critério médico.
Estas doses podem ser reduzidas em casos de comprometimento
renal. Sinais e sintomas de super-dosagem oral podem incluir:
náusea, vômito, diarréia e hematúria.
Se outros sintomas estiverem presentes, deverão ser secundários
a um estado patológico subclínico e reação
alérgica ou toxicidade devido à ingestão
de um segundo medicamento.
Menos que 5 a 10 vezes a dose normal de Cefalexina ingerida,
não requer descontaminação gastrointestinal.
Proteção das vias aéreas, assistência
respiratória e perfusão com monitoramento. Manter
dentro de limites aceitáveis os sinais vitais, os gases
e eletrólitos sangüíneos. A absorção
do fármaco, pode ser retardada pelo uso de carvão
ativado, que em muitos casos é mais eficaz que emeses
ou lavagens. Doses repetidas de carvão ativado podem
acelerar a eliminação de algums fármacos
que tenham sido absorvidas.
Salvaguardar as vias aéreas do esvaziamento gástrico
e do carvão. Diurese forçada, diálise peritoneal,
hemodiálise ou hemoperfusão não são
estabelecidas como benéficas. No entanto, seria extremamente
desagradável que um destes procedimentos seja indicado.
A dose letal média (DL50) em ratos foi de 5g/Kg. Cefalexin,
Ceporexin, Keflex