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ÁCIDO ACETILSALICÍLICO

Informações Técnicas:
O uso do Ácido Acetilsalicílico também conhecido como Aspirina foi introduzido na medicina em 1899 por Dressen substituindo os.compostos mais dispendiosos obtidos a partir da casca do salgueiro (Salix alba) desde 1827. O Ácido Acetilsalicílico é estável no ar seco e se apresenta em forma de cristais descoloridos ou brancos, em pó, com fórmula molecular C9H8O4 peso molecular de 180,2.

Farmacocinética:
O Ácido Acetilsalicílico é rapidamente absorvido por via oral, um pouco no estômago e a maior parte nas porções iniciais do intestino delgado, ocorrendo também absorção retal (que no entanto é menos confiável) e pela pele. Com absorção oral, alcança concentração plasmática considerável em 30 minutos, com pico máximo em 2 horas, apresentando uma biodisponibilidade de 70%. Pode no entanto, sob altas doses, atingir concentrações sangüíneas detectáveis por períodos de até 30 horas.
A biotransformação ocorre em diversos tecidos, rincipalmente no fígado. Por estar ligado às proteínas plasmáticas(albumina), pode produzir toxicidade em casos de hipoalbuminemia. Ácido Acetilsalicílico apresenta meia vida plasmática em torno de 15 minutos e é excretado basicamente pelos rins, principalmente na forma de ácidos salicílico, salicilúrico e gentísico, ou glicuronatos, sendo outra parte excretada sem sofrer alterações. A excreção renal envolve filtração glomerular, secreção tubular ativa e reabsorção ativa.

Ação Farmacológica:
1. Analgesia – Analgésico moderado. Seu efeito máximo é inferior ao dos hipnoanalgésicos, porém com toxicidade inferior ao da maioria dos analgésicos mais potentes. O alívio da dor se dá por ação periférica e central. No primeiro caso inibindo a síntese e liberação das Prostaglandinas (PGs), por bloqueio da cicloxigenase, impedindo a sensibilização dos receptores da dor ao estímulo mecânico ou à ação de substâncias químicas (ex: bradicinina). No Sistema Nervoso Central (SNC), atua em sítio hipotalâmico para produzir ação analgésica como antipirética.
2. Ação Antipirética- Efeito rápido e eficaz em pacientes febris ao nível do hipotálamo, por inibição da síntese e liberação de PGE1, consistindo em aumento da dissipação do calor através da intensificação do fluxo sangüíneo periférico e da sudorese.
3. Ação Antiinflamatória- Inibe covalentemente a enzima ciclo-oxigenase (COX) dos tipos 1 e 2 e a produção de PGs.Embora essas ações sejam bem estabelecidas, outros mecanismos ainda não elucidados completamente, contribuem para a ação antiinflamatória do Ácido Acetilsalicílico.
4. Ação Anti-reumática- Embora elimine os sinais clínicos e melhore o quadro histológico na Febre Reumática Aguda, os danos teciduais subseqüentes não são afetados com o uso do Ácido Acetilsalicílico.

Indicações:
O Ácido Acetilsalicílico é um antiinflamatório não-esteroidal, com propriedades antipirética e analgésica. É usado para o alívio de pequenas à moderadas dores, de origem restrita, ou disseminda, tais como cefaléias simples, dismenorréia, mialgias e odontalgias. Ainda é usado em processos inflamatórios agudos e crônicos: artrite reumatóide, artrite reumatóide juvenil, osteoartrite e espondilite anquilosante. É de grande valor para diminuir a temperatura, no alívio da cefaléia e de dores articulares e musculares.
O Ácido Acetilsalicílico é também usado pela sua atividade antiplaquetária, nos distúrbios cardiovasculares. Usado como trombolítico no tratamento preventivo do infarto do miocárdio e derrame, em pacientes de risco. É também usado como preventivo de infarto, em pacientes com angina e para prevenir derrames, em pacientes com fibrilação atrial.Também pode ser usado após angioplastia e pontes-safenas, para prevenir reestenoses.
Externamente para tratamento de verrugas, calos e alguns tipos de infecções por fungos.

Contra-Indicações:
Deve ser evitado por gestantes no início e no final da gravidez, assim como em recém-nacidos e pessoas idosas. Cuidados especiais em crianças com febre e desidratação. Não deve ser usado por pacientes com hepatopatias crônicas, pacientes pré-cirúrgicos, com distúrbios sangüíneos, fazendo uso de anticoagulantes, portadores de asma brônquica, úlcera gastroduodenal, gota e dengue, assim como deve ser restrito o uso por pessoas alcoolistas.
O Ácido Acetilsalicílico deve ser empregado cautelosamente em todos os pacientes propensos à dispepsias, ou que sabidamente tenham uma lesão de mucosa gástrica. Não deve ser administrado em pacientes com hemofilia ou outros distúrbios hemorrágicos, ou pacientes com gota, visto que baixas doses aumentam aconcentração de uratos. Também não deve ser dado a pacientes com história de reação de sensibilidade ao Ácido Acetilsalicílico ou outros antiinflamatórias não-esteroidais. O Ácido Acetilsalicílico deve também ser evitado, ou usado com cuidado, por pacientes com risco de desenvolver tais reações, inclusive aqueles com asma, rinite, ou urticária crônicas. Cuidados especiais devem ser dispensados quando a função renal ou hepática estiver comprometida. Crianças abaixo de 12 anos de idade correm o risco de apresentar a Síndrome de Reye. Embora baixas doses de Ácido Acetilsalicílico possam ser usadas em algumas pacientes grávidas, estas não devem ser prolongadas até ao termo da gravidez, pois isto pode estar associado ao prolongamento do trabalho de parto e sangramento materno e/ou fetal. Altas doses podem causar fechamento precoce de canal arterial no feto, possibilitando uma hipertensão pulmonar persistente no Récem-nascido. Também, mães que estejam amamentando, não devem usar Ácido Acetilsalicílico.

Interação Medicamentosa:
Alguns efeitos do Ácido Acetilsalicílico no trato digestivo são exacerbados por bebidas alcólicas. Administração simultânea de Ácido Acetilsalicílico e dipiridamol pode resultar em aumento do pico plasmático da concentração de salicilato.
Metoclopramida – em pacientes com enxaqueca, pode haver mais precoce absorção de Ácido Acetilsalicílico e aumento do pico da concentração plasmática deste salicílico.
Metoprolol – pode aumentar a concentração plasmática de salicílico. Intoxicação salicílica foi constatada com altas doses de salicílico e inibidores de anidrase carbônica.
Corticosteróides – a concentração plasmática dos salicilatos, pode diminuir pelo uso concomitante de corticosteróides. Esta interação pode provavelmente ser importante em pacientes recebendo altas doses por longo tempo, de salicilatos. Provavelmente toxicidade salicílica pode ocorrer, pela ocasião da retirada dos corticosteróides em uso.
Outros – Antiácidos e adsorventes podem aumentar a excreção de Ácido Acetilsalicílico na urina alcalina. O Ácido Acetilsalicílico pode exacerbar a atividade de anticoagulantes cumarínicos, agentes hipoglicemiantes, sulfoniluréia, metrotexato, fenitoína e ácido valpróico. O Ácido Acetilsalicílico diminui o efeito de agentes uricosúricos tais como probenecida e sulfinpirazona. Pode ainda diminuir a concentração sérica de algumas outros fármacos antiinflamatórias não-esteroidais (indometacina e piroxicam). A Griseofulvina diminui a concentração sérica de Ácido Acetilsalicílico. O efeito anti-agregante plaquetário do Ácido Acetilsalicílico pode aumentar quando usada, junto com bloqueadores de canal de Cálcio, causando equimoses, hematomas e aumento do tempo de sangria.

Posologia:

Adultos: como Analgésico / Antipirético (Antifebril): 1comprimido de 500mg de 4 a 6 vezes ao dia e como antiinflamatório 1000mg 4 a 6 vezes ao dia.
Crianças: como Analgésico / Antipirético (Antifebril) e Antiinflamatório: deve ser estabelecida individualmente pelo médico.

Superdose:
Na superdose observam-se sintomas como insônia, agitação, tremor muscular, zumbido e palpitações, podendo ocorrer também perda de audição, confusão, diarréia, cefaléia, dor estomacal, tontura, alucinações, sonolência, respiração rápida e profunda, vômitos e nâuseas, movimento incontrolado das mãos, hematúria, convulsão, excitação, nervosismo, febre paradoxal, sendo estes sintomas observados com doses acima de 200mg/kg. Como não existe antídodo específico, o tratamento baseia-se na correção dos distúrbios ácido-básicos e eletrolíticos.

Efeitos Indesejáveis:
Aparelho Digestivo – As reações adversas mais comuns ocorrem mesmo com doses terapêuticas do Ácido Acetilsalicílico e são distúrbios gastrintestinais tais como náusea, desconforto gástrico e vômitos. Estes sintomas podem ser atenuados quando a administração do medicamento é feita juntamente com alimentos. Irritação da mucosa gástrica com erosão, ulcerações, hematêmeses e melena, podem ocorrer. Antagonistas dos receptores histamínicos tipo H2 e análogos das Prostaglandinas, assim como o misoprostol, têm sido usados em casos de distúrbios da mucosa gástrica induzidos pelo Ácido Acetilsalicílico.
Pequena perda de sangue oculto nas fezes, pode ocorrer em 70% dos pacientes. É indolor e pode causar anemia em terapias prolongadas. Este sangramento não tem sido reduzido, mesmo quando se faz o uso do medicamento junto com alimentos. No entanto, pode ser reduzido pelo uso de antiácidos ou antagonistas de receptores H2. O uso de Ácido Acetilsalicílico pode ainda causar alguma hepatotoxicidade, particularmente em pacientes portadores de Artrite Reumatóide Juvenil.
Hipersensibilidade – Algumas pessoas, especialmente portadoras de asma, urticária, ou rinite crônicas, exibem notável sensibilidade ao Ácido Acetilsalicílico, podendo desenvolver várias reações, inclusive urticária e outras erupções cutâneas, angioedema, rinite, broncoespasmo e dispnéia. Dessensibilização bem sucedida tem sido alcançada usando-se vários protocolos. Doses crescentes de Ácido Acetilsalicílico (começando com 30mg) são dadas até que uma resposta alérgica seja obtida; o Ácido Acetilsalicílico é readministrado até uma dose que cause resposta e de novo se aumenta a dose, até que finalmente a dose de 650mg seja tolerada. Após dessensibilização, uma interrupção na adminstração de Ácido Acetilsalicílico, pode resultar no reaparecimento da sensibilidade.
Na Respiração – São importantes porque podem contribuir para a instalação de graves distúrbios ácido-básicos. Estimulam a respiração direta e indiretamente (doses terapêuticas aumentam o consumo de O2 e à medida que alcança o bulbo, estimula diretamente os centros respiratórios) com efeito depressor após doses elevadas, ou administrações prolongadas, podendo chegar à parada respiratória ou edema pulmonar. Pessoas hipersensíveis aos salicilatos podem ter prejuízo da função respiratória em decorrência de uma crise asmática.
No Aparelho Cárdio-vascular e Sangue – Tendência à dilatação de vasos periféricos com doses elevadas. Doses tóxicas deprimem a circulação através de paralisia vasomotora central. O Ácido Acetilsalicílico inibe a síntese de Prostaglandinas, reforçando a dilatação coronariana induzida pelo aumento da atividade cardíaca. Doses de 3 a 4 g/dia diminuem a concentração plasmática de Ferro, assim como o tempo de sobrevida eritrocitário. Aumenta também o tempo de sangramento por bloqueio na adesão plaquetária ao tecido conjuntivo, assim como a agregação destas células. Doses maiores podem causar trombocitopenia, anemia aplástica e agranulocitose, ou pancitopenia. O Ácido Acetilsalicílico tem sido associado com anemia hemolítica em pacientes com deficiência de 6 fosfato dehidrogenase.
Sistema Endócrino – Altas doses estimulam a medula supra-renal, com liberação de adrenalina e conseqüente hiperglicemia e depleção de glicogênio hepático. Da mesma forma, o córtex supra-renal é estimulado, aumentando a secreção de esteróides. Na tiróide, a administração crônica, reduz a absorção de iodo.
Na Gravidez – O uso dos salicilatos tem sido associado a casos de acondroplasia e outras anomalias esqueléticas congênitas, assim como cardiopatias e hidrocefalia, porém sem comprovação científica. Não existe até o momento, indícios de quaisquer alterações com doses terapêuticas; no entanto, gestantes portadoras de Artrite Reumatóide, fazendo uso de Ácido Acetilsalicílico podem ter alongada a duração da gestação, assim como o trabalho de parto. O Ácido Acetilsalicílico atravessa a barreira placentária e o leite, e sua facilidade em alterar a função plaquetária pode ser um risco potencial.
Em estudos recentes, o risco de placenta prévia e consequente morte perinatal foi mais alto em mães que usaram Ácido Acetilsalicílico. Contudo, algumas vezes, pode estar indicada, se bem avaliado o risco, na profilaxia da pré-eclâmpsia e eclâmpsia, baseado no seu efeito trombolítico.
No Feto e Recém-nascido – A literatura sugere a ocorrência desde aborto, a malformações, desnutrição, prematuridade e morte fetal, na dependência de vários fatores, principalmente: dose, presença de doenças associadas, tabagismo, alcoolismo, etc. Assim, a hipoprotrombinemia pode causar sangramentos no neonato e o prolongamento da gestação, levar à pós-maturidade e suas conseqüências. Doses maiores podem causar kernicterus por descolamento da bilirrubina do local de ligação protéica, e ainda, a inibição da síntese de Prostaglandinas no recém nascido, o que pode levar a um fechamento precoce do canal arterial, hipertensão pulmonar persistente e hemorragias por alterações da função plaquetária.
Síndrome de Reye – Doença grave com encefalopatia aguda e alterações da função hepática com 40% de mortalidade, e que se desenvolve em crianças que tiveram viroses como varicela ou gripe, fazendo o uso de salicílico. Consequentemente, o uso desta medicação em crianças abaixo dos 12 anos de idade, apenas como analgésico ou antifebril, não está plenamente justificado.
Efeito Irritante Local – Ação ceratolítica é utilizada no tratamento local de verrugas, calos e algumas infecções por fungos.

Superdose:
Por ser amplamente utilizado sem prescrição, mesmo em países desenvolvidos, tem sido responsabilizado por até 25% das intoxicações acidentais nos Estados Unidos, não se tendo estudo semelhante no Brasil. O quadro tóxico vai de hipersensibilidade à insuficiência renal ou hepática, agudamente, ou ao salicilismo, quando a intoxicação é crônica, por administração repetida de altas doses, ou exposição da pele em pessoas que manipulam o fármaco. Neste caso os sintomas mais comuns são cefaléia, zumbidos, surdez, confusão mental, sonolência e distúrbios gastrintestinais de graus variados. Distúrbios hidreletrolíticos, fenômenos hemorrágicos e encefalopatia tóxica. A dose letal para o adulto pode estar entre 10 e 30g e na criança à partir de 4,7g. Em ambos os casos, aconselha-se a suspensão da medicação, reestabelecimento do equilíbrio eletrolítico, assistência respiratória, etc.
Sintomas de intoxicação mais severa ou de envenenamento agudo, seguidos de superdose incluem hiperventilação, febre, agitação, cetose, alcalose respiratória e acidose metabólica. Depressão do SNC pode preceder ao coma, colapso cardiovascular e falência respiratória. Em crianças, sonolência e acidose metabólica, comumente ocorrem, sendo a hipoglicemia, severa. Na superdose aguda via oral, o estômago deve ser esvaziado por lavagem e os restos de medicamento do estômago removidos por adsorção com carvão ativado. Administração de fluidos e eletrólitos é necessária para correção dos desequilíbrios eletrolítico, da acidose, hiperpirexia e desidratação. Diurese alcalina, hemodiálise ou hemoperfusão, são métodos efetivos de remoção dos salicilatos do plasma.

Dosagem das concentrações de salicilatos no plasma podem ser úteis na avaliação da severidade do quadro e devem ser repetidas até que comecem a declinar seus níveis.

Produtos Similares:
AAS, ACETIL, ALIDOR, ASPIRINA, ASPISIN, BUFERIN, CAAS, ECASIL, RONAL, SOMALGIN.