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CLORIDATO DE TETRACICLINA

Farmacocinética:
A absorção da maioria das Tetraciclinas pelo trato gastrintestinal é adequada, porém incompleta. A percentagem de uma dose oral absorvida, com o estômago vazio, é baixa, para clortetraciclina (30%); intermediária para oxitetraciclina, demeclociclina, (60 a 80%); e elevada para a doxiciclina (95%) e aminociclina (100%).
A percentagem que não é absorvida, cresce à medida que se aumenta a dose. A maior parte da absorção ocorre no estômago e no intestino delgado superior, sendo maior em jejum. A absorção é bem menos completa nas porções inferiores do trato intestinal.
A ampla faixa de concentrações plasmáticas observada em diferentes indivíduos, após a administração oral das várias Tetraciclinas, está relacionada, em grande parte, à sua absorção irregular pelo trato gastrintestinal.
A Tetraciclina sofre absorção completa. Após uma única dose oral, obtém-se concentrações plasmáticas máximas em 2 à 4 horas. Essas drogas, cuja meia-vida se situa na faixa de 6 à 12 horas, são quase sempre administradas duas à quatro vezes ao dia. A administração de 250 mg a intervalos de 6 horas, produz concentrações plasmáticas máximas de 2 à 2,5mg/mL. O aumento da dose acima de 1g, a intervalos de 6 horas, não produz concentrações significativamente maiores da droga no plasma. O volume de distribuição aparente de muitas Tetraciclinas é maior que o da água corporal. Ligam-se em graus variáveis às proteínas plasmáticas. Os valores aproximados são os seguintes: doxiciclina, 80 a 95%; demeclociclina, 65 à 90%; metaciclina, cerca de 80%; minociclina, cerca de 75%; Tetraciclina, cerca de 65%; e oxitetraciclina, 20 à 40%. Todavia, os valores registrados na literatura são extremamente variáveis.
Todas as Tetraciclinas, concentram-se no fígado e são excretadas através da bile no intestino, onde são parcialmente reabsorvidas. A redução da função hepática, ou a obstrução do ducto biliar comum, resultam em menor excreção biliar desses fármacos, com conseqüente permanência no sangue. Em face da sua circulação entero-hepática, as Tetraciclinas podem ser encontradas no sangue muito tempo após a suspensão o tratamento. A inflamação das meninges, não constitui requisito para a passagem das tetraciclinas para o líquido cefalorraquidiano (LCR). A via e a duração do tratamento, são os principais determinantes. A injeção intravenosa de Tetraciclina, provoca o aparecimento gradual da droga no LCR, dentro de um período de 6 horas. O tratamento oral, produz concentrações liquóricas muito baixas.
A penetração dessas drogas na maioria dos líquidos e tecidos, é muito baixa. As concentrações observadas no líquido sinovial e na mucosa do seio maxilar, assemelham-se às do plasma.
As Tetraciclinas são armazenadas nas células reticuloendoteliais do fígado, baço e medula óssea, bem como no osso, na dentina e no esmalte dos dentes não-irrompidos. As Tetraciclinas atravessam a placenta e penetram na circulação fetal e no líquido amniótico.
As concentrações da Tetraciclina no plasma do cordão umbilical, atingem 60% e, no líquido amniótico, cerca de 20% dos níveis circulantes da mãe. No leite materno, tais drogas são também encontradas em concentrações relativamente altas.

Excreção: Todas as Tetraciclinas são excretadas na urina e nas fezes, sendo a principal via de excreção representada pelos rins. Como a sua depuração renal ocorre por filtração glomerular, a excreção é significativamente afetada pelo estado da função renal. Durante as primeiras 24 horas, são excretados na urina 20 à 60% de uma dose intravenosa de 0,5 g de Tetraciclina. São excretados por essa via, de 20 à 55% de uma dose oral. O intestino representa uma importante via de eliminação para as Tetraciclinas. Em virtude da absorção intestinal incompleta desses agentes quando administrados por via oral ou excretados na bile, eles aparecem nas fezes em concentrações variáveis. Ocorre eliminação pelo trato intestinal, mesmo quando as drogas são administradas por via parenteral, decorrente da excreção biliar.

Indicações:
A Tetraciclina é um antibiótico de amplo espectro contra bactérias e apresenta alguma atividade, sobre certos protozoários. A Tetraciclina é usada particularmente no tratamento de infecções, causadas por clamidias, ricketisias, micoplasma e algumas espiroquetas. Assim como, infecções por Gram-positivos e Gran-negativos. Esse amplo expectro de atividade, favorece o aparecimento de microrganismos resistentes. Nesse sentido, a realização de cultura e testes para indicar a sensibilidade do microrganismo à Tetraciclina, são sempre recomendados. Apresenta ainda, indicação nas infecções por Mycoplasma pneumoniae (pneumonia e faringite), no tratamento das infecções não complicadas do trato genito-urinário, causadas por Chlamydia trachomatis e Ureaplasma urealyticum; infecções causadas por Neisseria meningitidis. Na cólera (Vibrio cholerae), diarréia (Campylobacter jejuni, Yersinia enterocolítica, Vibrio parahaemolyticus, Escherichia coli), bronquite aguda (Mycoplasma pneumoniae, Chlamydia pneumoniae, H. influenzae, Moraxella), coqueluche (Bordetella pertussis), brucelose (Brucela).
Ainda: Auxiliar no tratamento da amebíase intestinal, em associação com amebicidas, e na malária resistente a cloraquina. Nas infecções gonocócicas (Neisseria gonorrhoeae).

Contra Indicações:
Esse antibiótico é contra-indicado em pessoas que apresentam hipersensibilidade às Tetraciclinas, em qualquer período da gestação, lactantes e em crianças abaixo de 8 anos de idade.

Precauções:
O tratamento de gestantes com Tetraciclina, pode produzir pigmentação dos dentes, no filho. O período de maior risco para os dentes, situa-se entre metade da gravidez, até cerca de 4 à 6 meses, no período pós-natal, para os dentes anteriores, decíduos, e entre alguns meses de vida à 5 anos de idade, para os dentes anteriores permanentes, quando se formam as coroas dos dentes. Todavia, crianças de até 8 anos de idade, podem ser sucetíveis à essa complicação da terapia com Tetraciclina.
As Tetraciclinas depositam-se no esqueleto do feto durante a gestação, e durante todo o período da infância. Em prematuros tratados com esses antibióticos, foi demonstrada redução de 40% do crescimento ósseo, determinada pela medição do perônio. Trata-se de um problema rapidamente reversível se o período de exposição à droga for curto.

Interações Medicamentosas:
A absorção das Tetraciclinas, é reduzida pela ingestão concomitante de produtos lácteos, géis de hidróxido de alumínio, sais de cálcio, magnésio e ferro e subsalicilato de bismuto. O mecanismo responsável pela menor absorção desses antibióticos, parece residir na quelação dos cátions divalentes e trivalentes. Contraceptivos orais que apresentem estrógenos em composição, apresentam efeito anticoncepcional reduzido na presença de Tetraciclina.

Reações Adversas:
Gastrintestinais: Anorexia, náuseas, vômitos, diarréia, disfagia, enterocolite, pancreatite, lesões inflamatórias da região genito-anal, aumento das enzimas hepáticas e toxicidade hepática.

Cutâneas: Erupção cutânea e maculopapular, fotossensibilidade.

Hematológicas: Anemia hemolítica, trombocitopenia, neutropenia e eosinofilia.

SNC: Perturbações visuais, tonturas, pseudotumor cerebral (hipertensão intracraniana benigna).

Outros: Quando administrada durante longos períodos, foi descrita a produção de descoloração microscópica castanha escura das glândula tiroidea.
Posologia:

Adultos: 1 à 2 g, divididos em 2 ou 4 doses diárias.

Crianças com menos de 8 anos: 25 a 50 mg/kg/dia, divididos em 2 à 4 doses diárias.
No tratamento da brucelose, 500mg de Tetraciclinas 4 vezes ao dia, durante 3 semanas, deve ser acompanhada de estreptomicina, 1g intramuscular 2 vezes/dia na 1o semana, e uma vez diária, na 2o semana.
No tratamento de sífilis, utilizar um total de 30 _ 40g, dividido em doses iguais em um período de 10 a 15 dias. Recomenda-se acompanhamento, incluindo-se testes laboratoriais.
A Tetraciclina pode ser administratada em pacientes com gonorréia, com sensibilidade a penicilina. A dose inicial deve ser 1,5g via oral seguida de 0,5g de 6 em 6 horas durante 4 dias, até dose total de 9g.
Infecções uretais, endocervicais e retais não complicadas causadas por Chlamydia tracomatis, utilizar 500 mg via oral, 4 vezes ao dia, durante pelo menos 7 dias.

Efeito Tóxico:
Gastrintestinais: Todas as Tetraciclinas produzem graus variáveis de irritação gastrintestinal em algumas pessoas, porém não em todos os indivíduos. Tais efeitos são mais comuns após administração oral. Podem ocorrer pirose e distúrbio epigástrico, desconforto abdominal; náusea e vômitos.
Quanto maior a dose, maior a probabilidade de reação irritativa. Se o distúrbio gástrico for incômodo, ele pode ser controlado através da administração das Tetraciclinas com alimentos, exceto, mas não com produtos lácteos. Com freqüência, a náusea e os vômitos, cedem com o prosseguimento da medicação e, em quase todas as situações, é possível controlá-los através da redução temporária da dose, ou do uso de menores quantidades e intervalos mais freqüentes.
Foi relatada a ocorrência de esofagite e úlceras esofágicas, bem como uma associação com pancreatite. Além disso, pode sobrevir diarréia em conseqüência dos efeitos irritantes das Tetraciclinas administradas por via oral; e, embora as evacuações sejam freqüentes e líquidas, as fezes não contém sangue nem leucócitos. É indispensável que este tipo de diarréia seja imediatamente distinguida da que decorre da colite pseudomembranosa, causada pelo supercrescimento do Clostridium, que constitui uma complicação com risco de vida para o paciente.

Hepatotoxicidade:

O estudo microscópico do fígado, revela alterações citoplasmáticas, como aparecimento de pequenos vacúolos, e aumento da gordura. A oxitetraciclina e a Tetraciclina, parecem ser menos hepatotóxicas do que as outras drogas do mesmo grupo. A maioria dessas reações surgem em pacientes que recebem 2g ou mais da droga ao dia, por via parenteral. Todavia, este efeito também pode ser observado quando se administram grandes quantidades por via oral. As mulheres grávidas parecem ser particularmente suscetíveis à lesão hepática grave, induzida por Tetraciclinas. ` Em primeiro lugar, surge icterícia, que pode ser seguida de uremia, acidose e choque irreversível.
Verifica-se infiltração gordurosa difusa do fígado; e apesar de a gordura hepática estar aumentada durante a gravidez, sua quantidade parece ser ainda maior após a exposição a uma Tetraciclina.
Toxicidade renal: Em pacientes com doença renal, as Tetraciclinas podem agravar a uremia ao inibir a síntese de proteínas e provocar efeito catabólico; por conseguinte, a uremia aumenta a partir do metabolismo dos aminoácidos. Foi constatado que a doxiciclina, produz menos efeitos colaterais renais, que outras Tetraciclinas.
Contudo, foi sugerida uma possível associação entre esse fármaco e o desenvolvimento de insuficiência renal. Em alguns pacientes que receberam demeclociclina, foi observada a ocorrência de diabete insípido nefrogênico; este fenômeno passou a ser explorado no tratamento da secreção inadequada crônica de hormônio antidiurético. Em pacientes que ingeriram Tetraciclina, com prazo de validade vencido, e que sofreu degradação, foi observado um quadro clínico caracterizado por náusea, vômitos, poliúria, polidpsia, proteinúria, acidose, glicosúria e aminoacidúria – isto é, uma forma da síndrome de Fanconi, em consequência de efeito tóxico, sobre os túbulos proximais renais.
Efeitos sobre os tecidos calcificados: As crianças que recebem terapia a longo ou a curto prazo com Tetraciclina, podem adquirir pigmentação castanha dos dentes. Quanto maior a dose da droga em relação ao peso corporal, mais intensa a pigmentação do esmalte.
A duração do tratamento parece ser menos importante do que a quantidade total do antibiótico administrado. O risco desse efeito colateral, é maior quando se administram Tetraciclinas a recém-nascidos e lactantes, antes da primeira dentição.
Todavia, pode-se verificar pigmentação da dentição permanente, se a droga for administrada entre 2 meses e 5 anos de idade, quando os dentes estão sendo calcificados. Uma das características precoces desse defeito consiste na fluorescência amarela do pigmento dentário, que possui espectro ultravioleta com absorção máxima em 270nm. É provável que a deposição de droga nos dentes e nos ossos, seja decorrente da sua propriedade quelante e da formação de complexo de ortofosfato de cálcio e Tetraciclina. Com o decorrer do tempo, a fluorescência amarela, é substituída por uma cor castanha não-fluorescente, que pode representar um produto de oxidação do antibiótico, cuja formação é acelerada pela luz. Essa pigmentação é permanente.

Similares:
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