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Remédios errados levam a diabetes

Matéria do Diário de Pernambuco, do dia 17/08/2007 Os pacientes hipertensos que usam a combinação feita de medicamentos à base de beta-bloqueadores aliada a diuréticos podem desenvolver, a médio prazo, diabetes. A informação desbanca uma rotina de prescrição que forma a cesta de remédios fornecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A prática também se estende a muitos consultórios particulares. O alerta foi feito ontem na abertura do 15º Congresso da Sociedade Brasileira de Hipertensão, que segue até amanhã, no Centro de Convenções, em Olinda.

Um estudo apresentado pelo especialista sueco Lars Lindholm mostra que medicamentos à base de beta-bloqueadores, entre os quais o Atenolol, também não se mostram eficientes para prevenir AVC (derrame cerebral), infarto e insuficiência renal. O estudo revelado pelo especialista já era visto na prática pelo coordenador da Clínica de Hipertensão do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco, Hilton Chaves, também presidente da Sociedade Pernambucana de Hipertensão. Segundo ele, a cesta básica dos medicamentos do SUS para combater a hipertensão composta de beta-bloqueadores e diuréticos é equivocada.

“Nós esperamos que as instituições sanitárias atuem nesta questão. Essas drogas aumentam os triglicerídeos e mexem com a glicose acarrentando a diabetes”, explicou Chaves. Segundo ele, essas drogas são apenas indicadas para quem já teve infarto e, nesse caso, reduz em 25% as chances de um segundo episódio. E também para os pacientes que sofrem de angina no peito, hipertiroidismo e insuficiência cardíaca. “Quem não está nesse quadro não deveria receber esse tipo de medicação”, afirmou Chaves.

Vítima – O aposentado Denizard Lisboa de Melo, 72 anos, vítima de hipertensão, nunca ouviu falar neste estudo, mas revelou um histórico semelhante ao que foi descrito pelos especialistas. Apesar de não receber medicamentos pelo SUS, também usa o Atenolol associado com Hidroclotiazida (diurético), além de comprimidos para o coração e diabetes. Ele conta que começou a tomar medicamentos para hipertensão há dez anos e nos últimos dois anos desenvolveu a diabetes. “Eu nunca tive diabetes antes e comia de tudo.

Hoje preciso reduzir a taxa de açúcar com ajuda de remédios”, revela o aposentado. De acordo com a coordenadora nacional de hipertensão arterial e diabetes do Ministério da Saúde, Rosa Sampaio Vila Nova, o protocolo da Política Nacional de Assistência Farmacêutica Básica é fundamentado em análise rigorosa de evidências científicas comprovadas, uso racional de medicamentos e critérios de custo x efetividade para o SUS que garantam sustentabilidade e, sobretudo, qualidade da atenção para as pessoas portadoras.

Ela diz ainda que os agentes anti-hipertensivos estipulados obedecem as atuais indicações terapêuticas mundiais. Enfatiza ainda que as indicações dos beta-bloqueadores são para pacientes com infarto prévio, angina de peito, taqui-arritmias e insuficiência cardíaca.